Fome e Desperdício no Mundo – Entrevista
“O número total de pessoas com fome no mundo cresce ano após ano. Entretanto, o desperdício de comida na Europa aumentou 50 por cento nas últimas décadas”
Problema reside “na questão do desperdício”,
diz Bruno Neto Coordenador da Campanha Pobeza Zero
Entrevista Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra
Uma distribuição injusta e insustentável “De facto, no mundo existe riqueza suficiente para que não haja pessoas a morrer com fome, e isto é algo que é comum a todas as campanhas internacionais”, afirma o coordenador da campanha Pobreza Zero (PZ) em Portugal, Bruno Neto. A seu ver, o problema reside “na questão da distribuição, do desperdício, e, diga-se de uma forma muito frontal, de toda a corrupção e de todos os negócios que giram em torno da pobreza mundial”. “Na América Central, que tem dos melhores cafés e chocolates mundiais, é dificílimo para a população conseguir consumir produtos da comunidade, porque naturalmente os grandes mercados são capazes de dizimar culturas”, observa Bruno Neto. E dá o exemplo de “uma plantação de soja na Argentina do tamanho do Reino Unido, em grande maioria é utilizada para biocombustíveis e alimentação de gado”.
Para o activista, esta acção de exigir “uma distribuição mais equitativa” dos diversos recursos “tem que começar em cada um”, afirmando que, a seu ver, “é de facto um dos grandes passos a dar: perceber que o que nós fazemos, consumimos, pensamos e idealizamos tem um impacto sobre o mundo”. Como explica Bruno Neto, “a comunidade é feita por indivíduos e estes precisam naturalmente de ser estimulados a juntar-se, a tomar acções, a assinar petições, a estar atentos àquilo que se faz, a participar activamente na vida pública através de uma cidadania activa”.
Na verdade, sabe que “aquilo que podemos fazer é muito mais” e que “quando as pessoas se unem, podem mesmo fazer a diferença”, exemplificando com a questão timorense, uma vez que quando os portugueses se uniram em torno desta causa, “a sua acção agitou todo o mundo e acabou por ser decisiva para o fim da ocupação”.
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