Declaração de Líderes das Comunidades do Clima
Declaração de Líderes das Comunidades do Clima da Ásia, África e América Latina
Na Cimeira do Clima de Copenhaga (17 Dezembro 2009)
Declaramos que não estamos aqui para demandar nada aos líderes políticos que se juntaram em Copenhaga para negociar as soluções para a Crise Meio ambiental. Nós – as comunidades nas florestas, as mulheres, os pequenos fazendeiros, os pastores, nómadas e as comunidades de pescadores – somos grandes recursos no nosso direito. Sabemos como utilizar os nossos recursos sabiamente já que somos o centro do conhecimento ecológico. Portanto, não há nada que nos possam transmitir que combata à crise do clima. Por outro lado, se vocês reclamam vida neste planeta, vão ter que pedir e contar com a nossa força.
Queremos que fiquem registadas os nossos mais fortes protestos contra o nosso silenciamento da Cimeira do Clima que se está a realizar aqui em Copenhaga. È uma atitude sem precedentes na tradição das Convenções das Nações Unidas, o que cria sérias dúvidas enquanto às intenções deste encontro. As negociações são uma farsa, e chegarão à solução que já tenha sido pré-determinada. Vocês que não viveram nem amaram o mundo nem os recursos que nele se encontram.
Neste processo têm mostrado abertamente o pouco democrático que o processo tem sido. Sem ouvirem as nossas vozes, as vozes das “comunidades do clima”, as decisões que tomem nunca serão legítimas. Assim tomadas, sem o nosso envolvimento, nunca nos serão vinculativas, já que somos os maiores representantes das pessoas que vivem a natureza diariamente e cujas vidas dependem do clima e as suas mudanças.
A diferença de vocês, esta comunidade de líderes do mundo é que tem mostrado a verdadeira coragem e visão ao unir pessoas em cada país para partilhar, falar, e reflectir sobre o debate global sobre o clima.
São bem-vindos a serem inspirados pela sabedoria que tem emergido da terra para definir o texto que vos oferecemos para trazer um acordo da Cimeira de Copenhaga. Usem esse como base dos vossos acordos se querem manter a vida no planeta:
A nossa Identidade:
Nós, pessoas deste planeta procedentes das montanhas, costas, florestas, desertos, planos e planaltos desta vasta e rica terra – que convivemos com a natureza durante milénios, cuja agricultura, pesca, silvicultura e pastos, tem sido nutrida pela Terra Mãe – decidimos articular mais fortemente, claramente e ruidosamente os nossos assuntos, preocupações e soluções à crise climática.
Somos da firme opinião que os nossos laços com a natureza, o respeito que mostremos e a forma em que aprendemos dos nossos antepassados para viver em harmonia, nos consegue mostrar muitas das formas que podemos utilizar para tratar os problemas projectados pela mudança climática, como os aumentos de temperatura, chuvas escassas e inconstantes, saúde doente e malnutrição. Nas discussões entre nós em Copenhaga, fora dos confines das negociações inter-governamentais, temos descoberto as nossas forças que nos impulsam a afirmar que o mundo precisa de reconhecer as mesmas como os cimentos da nossa capacidade para combater as alterações climáticas
A Nossa Força:
1.A vasta biodiversidade da nossa fauna e flora no Sul. Temos o conhecimento para nos adaptar e prevenir os impactos negativos do clima. A nossa coerência e os nossos laços sociais ainda estão presentes em nós e nos ajudam a tomar decisões colectivas para confrontar a crise do clima.
2. Acreditamos fortemente que o rico conhecimento ancestral que nos tem acompanhado pode-nos guiar para combater a crise do clima actual.
3. A nossa tradição de poupança e troca de sementes, e o conhecimento a esta associado, é uma mais-valia inestimável no nosso compromisso com factores climatéricos.
4. A nossa agricultura é não-poluente, auto-regeneradora, pouco consumidora de energia, e baseada em princípios ecológicos.
5. As nossas florestas protegem-nos de calamidades naturais, nos fornecem alimento e outras alternativas de vida, e oferecem abrigo a um grande número de espécies com as que partilhamos a terra.
A Nossa Demanda:
Demandamos que as comunidades globais reconheçam as mais-valias destas grandes comunidades e que tomem medidas. As acções que demandamos de todos os interessados, particularmente das agências de desenvolvimento locais, nacionais e globais, são as seguintes:
1. Reconhecimento da Biodiversidade e integridade nas nossas fazendas, o nosso gado, florestas e mares como activos da civilização e não fazer nada para os perturbar. Declarar oficialmente que estes são fundamentais na nossa luta contra as Alterações Climáticas.
2. Apoiar a agricultura multifuncional, ecológica e diversa que praticamos como a grande defesa contra as alterações climáticas.
3. Respeito ao pastoralismo e à mobilidade como recursos importantes de diversidade cultural, identidade cultural e direitos.
4. Reconhecimento que os pescadores tradicionais são os administradores das costas e as águas.
5. Honrarem a cada um dos membros da nossa comunidades e aos Guerreiros da Linha do Frente contra as Alterações Climáticas e tomem as medidas políticas necessárias para os providenciar com incentivos para pôr em prática e promover esta diversidade.
_Assinado: Coalição dasComunidades do Clima_
– Comunidade Baiga, Chattisgarh, India
– Bhils e Bhilalas, Madhya Pradesh, India
– Chakhesang Nagas, Nagaland, India
– Women Dalit Farmers, Andhra Pradesh, India
– Farmers Dalit, Tamil Nadu, India
– Dongria Kondhis, Niyamgiri Hills – Orisssa, India
– Jele, Chashi and Moule, Sunderbans – West Bengal, India
– Kaunta, Khatia, Pandra e Lolias, Orissa, India
– Maldharis, Gujarat
– Parava, Muthurayar e Nadars, Tamil Nadu
– Santhals, Jharkhand, India
– Movimiento Ciudadano Frente al Cambio Climatico (MOCICC), Peru
– Niger Delta Women’s Movement for Peace and Development, Nigiera .
– ACTWID, Cameroon Rural Women’s Movement
– Ghana National Youth Coalition on Climate Change (GNYCCC)
– Ekta Parishad
– People’s Coalition of Climate Communities
– Global Call to Action Against Poverty
A Coalição de Comunidades do Clima é uma plataforma espontânea que representa a esperança e também a angústia dos líderes da terra que estão presentes a Cimeira do Clima de Copenhaga (Dezembro 2009) – e acordaram que são estas comunidade as que devem ser protagonistas e não as amostras do debate global sobre as alterações climáticas.
Em solidariedade,
O Coordenador da Campanha Pobreza Zero – GCAP Portugal